Na actividade pecuária, e independentemente da espécie animal em causa, assistimos com frequência a variações nas performances e demais índices produtivos, sem que exista uma explicação compreensível.

Explicando melhor – passamos por alturas em que tudo no campo corre bem. Mas subitamente, e sem mudar qualquer factor de produção (fórmula da ração, vacinações, profilaxia geral, etc.) os índices produtivos caem, os animais crescem ou produzem menos, a mortalidade aumenta, e tudo isto sem sintomas ou lesões evidentes, nem resultados laboratoriais esclarecedores.

Estas alterações são frequentes e transversais à cadeia produtiva, isto é, aparecem em simultâneo em várias espécies animais, em diferentes zonas do país e explorações que nada têm em comum (origem dos animais, alimento, planos profilácticos, etc.).

Independentemente do aparecimento de qualquer patologia infecciosa, dadas as características do mercado nacional de matérias-primas para rações, podem existir outros factores comuns. A origem das referidas matérias-primas é basicamente a mesma. O processo pelo qual passaram até à sua incorporação no alimento (armazenamento, transporte, etc.) também é idêntico. A época do ano e consequentemente os factores climáticos também são semelhantes, independentemente do fabricante em causa.

Com isto afirmamos que o alimento apesar de ser produzido por fábricas diferentes, com aditivos e formulações específicas, pode afinal ter muito em comum. Perante estes factos, e de acordo com uma razoável experiência de campo, podemos suspeitar da existência de um qualquer factor tóxico em matérias-primas para alimentos compostos.

A produção animal não é uma ciência exacta, e muito raramente somos confrontados com problemas que se expliquem em função de uma relação directa causa / efeito. No entanto, todos estes factos levantam suspeitas quanto à possível existência de micotoxinas nas rações.

As micotoxinas são muito variadas, têm um efeito cumulativo, são de difícil detecção laboratorial e podem aparecer desde a planta (ainda no campo por colher), até à ração acabada num silo de uma qualquer exploração pecuária.

A incorporação de anti-fúngicos é indispensável mas não é suficiente. Os anti-fúngicos previnem o desenvolvimento dos fungos. No entanto, se estes já existirem, torna-se necessário tomar outro tipo de medidas.

Perante estes factos aconselhamos vivamente que para além dos anti-fúngicos, um sequestrante de micotoxinas seja também incorporado no alimento composto. O uso deste tipo de produtos faz ainda mais sentido nas alturas do ano em que assistimos subitamente ao aparecimento do tipo de problemas atrás referidos.

Não esquecer que:

  • Podem ocorrer situações em que apesar da dificuldade de detecção, possamos encontrar micotoxinas em rações em que o sequestrante é incorporado. O papel do sequestrante não é destruir as referidas micotoxinas (pelo que continuam a ser detectáveis analiticamente), mas apenas exercer uma acção de bloqueio, não as deixando quimicamente ativas.
  • Por outro lado, ao colher uma amostra para deteção de micotoxinas num qualquer alimento composto, ou matéria-prima, pode ser difícil que essa mesma amostra seja significativa. Num qualquer local de armazenamento de alimento acabado ou de matéria-prima, é possível que em determinado ponto existam condições favoráveis ao desenvolvimento de fungos e possivelmente micotoxinas, enquanto que noutros pontos desse mesmo local de armazenamento tudo esteja normal.

Contacte a TNA, pois temos soluções para minimizar estes riscos.

José João Sousa Nunes

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