A cetose é uma desordem metabólica caracterizada pelo aumento da concentração de corpos cetónicos no sangue, urina e tecidos. Em suínos, a condição é relativamente rara em sistemas de produção bem monitorizados, mas pode surgir em situações de elevada exigência energética, especialmente em porcas de alta prolificidade durante a lactação ou no final da gestação.

A cetose resulta da produção excessiva de corpos cetónicos, tais como acetoacetato, β-hidroxibutirato (BHB) e acetona. Esses compostos são produzidos no fígado quando há intensa mobilização de gordura corporal para suprir energia. O mecanismo básico resume se a: déficit energético, mobilização de tecido adiposo, aumento de ácidos gordos livres no sangue, conversão hepática em corpos cetónicos e acúmulo desses mesmos compostos no organismo.

Diversos estudos em fisiologia suína demonstraram aumento de corpos cetónicos durante a lactação intensa, restrição alimentar, jejum prolongado, período peri-parto e situações de stress térmico.

As porcas podem produzir leite para 12–18 leitões ou mais, criando uma enorme demanda energética. Quando a ingestão de energia não acompanha essa demanda, pode ocorrer perda de peso, perda de gordura dorsal, aumento da lipólise e da formação de corpos cetónicos. Como fatores de risco temos a lactação que é o principal período de risco.

Uma porca em lactação pode produzir mais de 10 kg de leite por dia. Se houver baixo consumo de ração, temperaturas elevadas, problemas sanitários ou grandes ninhadas, o organismo passa a utilizar as reservas corporais. Outro fator de risco enquadra-se nas últimas semanas de gestação em que o crescimento fetal acelera e, por conseguinte, a necessidade energética aumenta.

Em situações de subalimentação, pode ocorrer um quadro semelhante à toxemia da gestação observada em ovelhas. A restrição alimentar pode ser mais outro fator de risco, que muitas vezes ocorre devido a falha no fornecimento de ração, competição em sistemas coletivos, formulação inadequada da dieta e baixa palatabilidade. O Stress térmico é outro fator risco. A porca reduz o consumo de alimento, mas a produção de leite continua elevada.

O resultado será um balanço energético negativo. A condição corporal inadequada também é outro fator de risco. Porcas muito magras possuem poucas reservas e as muito gordas tendem a reduzir o consumo no peri parto. Ambas apresentam maior risco metabólico.

Quando a glicose disponível é insuficiente, existe mobilização de gordura. O tecido adiposo liberta ácidos gordos não esterificados, verifica-se captação hepática, e o fígado recebe grande quantidade desses lipídios. Parte dos ácidos gordos é convertida em acetoacetato, β-hidroxibutirato e acetona.

Se a produção exceder a utilização pode surgir acetonemia, e pode ocorrer cetonúria. O metabolismo fica comprometido. Os sinais associados geralmente são inespecíficos, tais como redução do apetite, perda de condição corporal, apatia, fraqueza, queda na produção de leite, leitões com menor ganho de peso e aumento do intervalo desmame-cio. Em casos severos podem existir tremores, incoordenação motora e decúbito prolongado. A cetose pode causar perda excessiva de peso, menor desempenho reprodutivo, retorno ao cio mais lento, menor taxa de conceção futura. Nos leitões menor ganho diário, maior variabilidade da ninhada e aumento da mortalidade pré-desmame.

É importante avaliar o consumo de ração, a condição corporal, o desempenho da ninhada.

Podemos concluir que a cetose em porcas é uma condição real, embora menos comum do que em ruminantes. Ela está associada principalmente ao déficit energético durante a lactação e, em menor grau, ao final da gestação. Seus efeitos podem incluir perda de condição corporal, redução da produção de leite, pior desempenho reprodutivo e menor crescimento dos leitões. O diagnóstico baseia-se na avaliação clínica e na medição de corpos cetónicos, enquanto a prevenção depende principalmente de um maneio nutricional e ambiental adequados. Para produção intensiva, o maior desafio não é a cetose clínica, mas sim a cetose subclínica e o balanço energético negativo prolongado, que podem reduzir a eficiência produtiva sem sinais clínicos marcantes.

Esclareça suas dúvidas com a equipa técnica da TNA

Departamento técnico TNA

Fontes:

https://nutrinews.com/en/countries/europe

Categorias: Notícias