A alimentação das aves em épocas de calor, é sem sombra de dúvida, um desafio para os que são responsáveis pela produção destas espécies. Com as altas temperaturas, é comum existir uma diminuição mais ou menos acentuada do consumo de alimento, normalmente associada a um incremento do consumo de água. Para além dos aspetos relacionados com o desequilíbrio da microbiota intestinal que esta alteração pode provocar, a diminuição da ingestão de alimento tem sempre consequências nas performances produtivas. As poedeiras vão produzir menos ovos e de pior qualidade, e as produtoras de carne como frangos, perus e patos terão um crescimento inferior ao seu potencial. É uma consequência direta do subconsumo: qualquer animal que ingira menos alimento, vai piorar o seu crescimento e/ou produção.
Para os animais criados em confinamento, isto é, sem zonas de ar livre, é evidente que tudo tem a ver com as instalações. Se estas tiverem preparadas para manter um ambiente térmico constante e independente das condições exteriores, este problema nem se põe. Tudo depende do tipo de construção, das janelas, dos dispositivos para diminuir a temperatura (sistemas de cooling, nebulizadores, etc.), e do desenho do pavilhão, ventilação lateral ou túnel, por exemplo.
Mas mesmo assim, a experiência diz-nos que até em pavilhões bem construídos e estruturados, podem existir alguns problemas, quando as temperaturas exteriores são muito elevadas, o que frequentemente sentimos nos meses de Verão, pelas nossas latitudes.
Apesar de não ser determinante, o alimento pode ter o seu papel no sentido de minimizar as consequências do calor excessivo. Mas repito: nenhuma ração é capaz de minimizar com eficácia o efeito do calor extremo. Mas afinal, onde é que o alimento pode ajudar? São alguns os procedimentos que podemos adotar:
- Ter a noção exata da percentagem da diminuição de consumo;
- Em função desse valor, tentar aumentar os teores de Aminoácidos e de Minerais;
- Ter o foco principal nas rações de crescimento e acabamento, já que nas de iniciação, estas variações têm um impacto menos significativo;
- Manter a energia. Pode haver a tentação de aumentar a densidade energética do alimento face ao menor consumo, mas, este conceito está errado. Um alimento mais energético é, em regra, consumido em menor quantidade, que é exatamente o que queremos evitar;
- Reduzir a quantidade de amidos. A metabolização dos amidos tem um incremento calórico superior ao dos óleos e gorduras, por unidade de energia produzida. Tem vantagem aumentar os teores de gordura e diminuir os amidos;
- Diminuir o valor de proteína bruta o mais possível, mantendo os teores de Aminoácidos, assim como o esquema da proteína ideal. Estudos apontam que a diminuição de 0,5% do valor de proteína bruta tem efeitos positivos na produção quando os animais são sujeitos a maiores temperaturas;
- Suplementar o alimento com eletrólitos e aumentar os teores de vitaminas A, D, C, E e do grupo B;
- Substituir na medida do possível os minerais inorgânicos por orgânicos (quelatos), que têm absorção superior;
- Ter uma apresentação física da ração irrepreensível. Isto é, uma migalha ou granulado em perfeitas condições, sem excesso de finos (muito importante).
Estas são algumas das medidas que se devem pôr em prática, nas épocas do ano com mais calor, em relação ao alimento.
Conte com a TNA para lhe auxiliar na implementação destas medidas.
Adaptado de: “Aviagen – Article CL 26 -Hot weather management and nutrition”